O Brasil é enorme. Mudam os sotaques, a comida, as expressões e até a maneira de pedir a mesma coisa.
Antônio, marceneiro experiente, sabia distinguir um Freijó de uma Nogueira Americana de longe. Entendia de veios, desenhos, emendas e revestimentos. O que ele não imaginava era que uma viagem pelo Brasil colocaria à prova não seus conhecimentos de madeira, mas seu vocabulário.
E tudo começou no Brás, em São Paulo.
A primeira parada é na Madeireira Rume
Antes de pegar a estrada, Antônio passou pela Madeireira Rume, na região do Brás, para escolher algumas folhas que usaria em seus projetos.
— Quero umas folhas de Nogueira Americana com bastante desenho.
Enquanto olhava o material, completou:
— E separa também umas lâminas para mim.
Tudo perfeitamente compreendido.
Para Antônio, folha de madeira e lâmina de madeira faziam parte do vocabulário cotidiano da marcenaria.
Material escolhido, carro carregado e estrada pela frente.
Antônio saiu de São Paulo sabendo pedir folha e lâmina.
Parecia suficiente.
Parecia.
No Nordeste, a folha ganhou novos nomes
Depois de muitos quilômetros, Antônio chegou ao Nordeste e entrou em uma loja.
— Bom dia! Vocês trabalham com lâmina de madeira?
O vendedor respondeu:
— Trabalhamos. Tu estás procurando capeado?
Antônio parou.
— Capeado?
— É, para revestir o móvel.
— Ah! Folha de madeira!
— Isso!
Antônio riu.
— Rapaz, a madeira é a mesma, mas já mudou de nome!
Mais adiante, conversando com outro profissional, veio a segunda surpresa:
— Tu estás procurando casquinha de madeira?
Antônio já não discutiu. Tirou o caderninho do bolso e escreveu:
São Paulo: folha, lâmina.
**
Nordeste: capeado, casquinha.**
Fechou o caderno e pensou:
— Se continuar assim, vou precisar comprar outro caderno antes de voltar para casa.
No Norte, Antônio resolveu chegar preparado
Quando chegou ao Norte, Antônio já não queria ser surpreendido.
Entrou em uma marcenaria e foi logo dizendo:
— Preciso de folha de madeira. Pode ser lâmina, capeado, casquinha... agora eu já conheço tudo!
O marceneiro riu:
— Calma. Aqui tu podes pedir lâmina mesmo. Agora, se tu fores fazer um painel grande, olha bem a sequência das folhas para manter o desenho.
Antônio respirou aliviado.
— Lâmina! Finalmente uma palavra conhecida.
Mas percebeu que o tu tinha atravessado o país com ele.
E enquanto os dois abriam as folhas sobre a bancada, a conversa mostrou algo mais importante: independentemente do nome, quem conhece o material observa tonalidade, veios, desenho, sequência e aplicação.
O nome podia variar.
A madeira continuava exigindo conhecimento.
No Centro-Oeste, Antônio exagerou
Depois de tantas descobertas, Antônio já estava confiante demais.
Chegou ao Centro-Oeste, entrou em uma loja e anunciou:
— Bom dia! Estou procurando folha, lâmina, folheado, capeado ou casquinha de madeira.
O vendedor ficou olhando para ele.
— Mas o que você quer?
— Nogueira.
— Então pede Nogueira!
Antônio caiu na risada.
— É que estou viajando pelo Brasil e cada lugar me ensina um nome novo.
— Pois aqui você quase trouxe o dicionário inteiro.
Mais uma lição para o caderninho:
nem toda região precisa ter uma palavra diferente.
Folha, lâmina e folheado circulam pelo vocabulário da marcenaria brasileira, enquanto algumas expressões são mais características de determinados lugares ou profissionais.
Antônio decidiu simplificar.
Na próxima parada perguntaria primeiro pelo material.
Depois descobriria como chamavam.
No Sul, o “tu” apareceu outra vez
Já no Sul, Antônio entrou procurando material para outro projeto.
— Preciso de umas folhas de madeira para revestir MDF.
O vendedor perguntou:
— Tu queres a lâmina ou a chapa já folheada?
Antônio abriu um sorriso.
— O “tu” voltou!
— Voltou de onde?
— Deixa pra lá. É uma história comprida...
Mas havia algo importante naquela pergunta.
Uma coisa é comprar a folha ou lâmina de madeira que será aplicada sobre um substrato.
Outra é comprar uma chapa já folheada ou revestida, na qual a folha já foi aplicada sobre MDF, compensado ou outro substrato.
Antônio pegou novamente o caderninho:
Folha de madeira → revestimento.
**
Chapa folheada → folha aplicada sobre um substrato.**
E concluiu:
— Algumas palavras mudam conforme o lugar. Outras mudam porque o produto realmente mudou.
Agora ele estava ficando bom nisso.
E quando perguntaram: “Faqueada ou torneada?”
Antônio achava que já estava preparado para qualquer pergunta.
Até ouvir:
— Você quer lâmina faqueada ou torneada?
Silêncio.
Dessa vez guardou o caderninho.
— Essa vocês vão ter que me explicar.
Aqui já não se tratava de regionalismo.
Lâmina faqueada e lâmina torneada são denominações técnicas relacionadas à maneira como a lâmina é obtida da madeira. Essa terminologia é utilizada inclusive oficialmente para a classificação de produtos florestais.
Antônio percebeu que seu dicionário tinha duas partes.
Uma para os diferentes jeitos de falar.
Outra para os termos técnicos que realmente diferenciavam os produtos.
Natural ou composta? Agora Antônio sabia a resposta
Em outra conversa veio a pergunta:
— Você procura folha natural ou composta?
Finalmente Antônio pôde responder sem abrir o caderno.
As folhas naturais preservam as características próprias da madeira, com suas variações de tonalidade, veios e desenhos. Cada conjunto possui sua própria identidade.
Já as folhas compostas proporcionam maior padronização e repetição de desenhos e tonalidades, atendendo projetos nos quais a previsibilidade visual é importante.
Aqui não eram dois regionalismos.
Eram produtos com características diferentes para necessidades diferentes.
— Essa eu sabia! — respondeu Antônio.
Alguma dignidade precisava restar ao nosso viajante.
De volta ao Brás
Depois de atravessar diferentes regiões do Brasil, Antônio finalmente voltou a São Paulo.
E terminou a viagem exatamente onde havia começado: na Madeireira Rume, no Brás.
Entrou, colocou o caderninho sobre o balcão e abriu na última página.
Estavam lá:
Folha de madeira.
**
Lâmina de madeira.**
**
Folheado.**
**
Capeado.**
**
Casquinha de madeira.**
**
Lâmina natural.**
**
Lâmina composta.**
**
Lâmina faqueada.**
**
Lâmina torneada.**
**
Chapa folheada.**
**
Veneer.**
— Saí daqui procurando folha e lâmina — disse Antônio. — Voltei falando quase todos os idiomas da marcenaria brasileira.
Do outro lado do balcão veio a resposta:
— Então você descobriu que não importa muito como o cliente chama. O importante é entender o que ele precisa.
Antônio fechou o caderno.
Era uma ótima maneira de terminar a viagem.
Porque alguém pode procurar folha de madeira.
Outro conhece como lâmina.
Outro fala em folheado.
E, dependendo da região, pode chegar procurando capeado ou casquinha de madeira.
No fim, todos precisam ser compreendidos.
Não importa como você chama a folha de madeira na sua região: a Madeireira Rume está pronta para atender clientes de todo o Brasil e participar de seus projetos do início ao fim.
E assim Antônio terminou sua viagem no mesmo lugar onde tudo começou:
na Madeireira Rume, no Brás. me mande os dados que peço sempre para configurar esse artigo do blog da rume